A velha Oliveira
Perdida no meio da planície
Com teu ar tutelar e sobranceiro
Dominas a paisagem que te agride
Fazes inveja a um qualquer sobreiro
Séculos e vendavais por ti passaram
Deste abrigo a muita alma faminta
Foste o sonho dos que te plantaram
És a musa de um braço que te pinta
Dentro de ti guardas as memórias
Dos que por ti passaram devagar
Só tu sabes contar a sua história
E o que sofreram para te alcançar
Dedos enregelados te afagaram
De ti colheram os frutos do teu corpo
Foram almas que sofreram e que amaram
Recolhidas em silêncio no seu horto
Escravos da sorte e da incerteza
Almas que te regaram com seu pranto
Que iluminaste na sua pobreza
A quem alimentaste em qualquer canto
Ana Claré 31/03/2013
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