terça-feira, 5 de agosto de 2025

 

A velha Oliveira

 

Perdida no meio da planície

Com teu ar tutelar e sobranceiro

Dominas a paisagem que te agride

Fazes inveja a um qualquer sobreiro

 

Séculos e vendavais por ti passaram

Deste abrigo a muita alma faminta

Foste o sonho dos que te plantaram

És a musa de um braço que te pinta

 

Dentro de ti guardas as memórias

Dos que por ti passaram devagar

Só tu sabes contar a sua história

E o que sofreram para te alcançar

 

Dedos enregelados te afagaram

De ti colheram os frutos do teu corpo

Foram almas que sofreram e que amaram

Recolhidas em silêncio no seu horto

 

Escravos da sorte e da incerteza

Almas que te regaram com seu pranto

Que iluminaste na sua pobreza

A quem alimentaste em qualquer canto

 

Ana Claré 31/03/2013

Sem comentários:

Enviar um comentário