terça-feira, 5 de agosto de 2025

 

Não acredito

 

não acredito

em falsas aparências astutas

em vielas rasgadas e corruptas

em rolos de fumaça que se espraiam

em risos esgotados que desmaiam

 

não acredito

em palavras dissipadas em mutismos

em sonhos já vividos e esquecidos

em abraços prenhes de vileza

em prazer mascarado de tristeza

 

não acredito

porque a vida atulhou-me de incertezas

dói o coração cheio de ansiedade

do sonho acordei a realidade

e no que confiava perpétuo e sublime

esvaiu-se no tempo como lume

 

e o mote dos meus versos já esgotados

é um mar de escolhos estropiado

e o meu grito de raiva e desacerto

é apenas um

 

não acredito

 

 

Ana Claré 10/Abril/2014

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