Não acredito
não acredito
em falsas aparências
astutas
em vielas rasgadas e
corruptas
em rolos de fumaça que
se espraiam
em risos esgotados que
desmaiam
não acredito
em palavras dissipadas
em mutismos
em sonhos já vividos e
esquecidos
em abraços prenhes de
vileza
em prazer mascarado de
tristeza
não acredito
porque a vida
atulhou-me de incertezas
dói o coração cheio de
ansiedade
do sonho acordei a
realidade
e no que confiava
perpétuo e sublime
esvaiu-se no tempo como
lume
e o mote dos meus
versos já esgotados
é um mar de escolhos
estropiado
e o meu grito de raiva
e desacerto
é apenas um
não acredito
Ana Claré 10/Abril/2014
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