Alentejo
queimado
do vermelho
nasce o verão
e do dourado se
fazia o pão
e nas cores do
arco-íris
sempre viverá
a alma de um
povo
habituado aos
sentires
do que já não é
novo
porque lhe
amputaram o coração
hoje vive
reveses
ingrata ilusão
do vermelho
nasce o sedimento
e a terra
prometida era o alento
hoje árida e
espinhosa sem labor
e o desalentado
e amargo alentejano
habituado à
entrega ao infinito
sempre mudo e
resistente à dor
assentou na
vida o requisito
designado desde
o seu advento
suportar com
estoicidade o sofrimento
do vermelho se
fez breu
e a alegria
desapareceu
na terra a que
se cingiu com altivez
onde os pés
criaram crostas
de seu já não
tem nada
hoje vive uma
doce embriaguez
e o olhar é
sinfonia terminada
o solo bendito
que em si cresceu
deixou de
produzir
e o pão já não
é seu
e na altivez
dos campos perfumados
divisa-se ao longe no montado
uma alma errando
eternamente
num caminhar
louco e desenfreado
os trilhos que
pisara num tempo persistente
já não lhe
pertencem foram-lhe usurpados
do vermelho que
a terra pariu
é hoje eterno “Alentejo queimado”
Ana Claré 21/Junho/2011

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