No meio da planície triste e só,
Abandonado à sua triste sorte,
Existe ainda na sua altivez,
Um enorme sobreiro lindo e forte,
Ergue os braços ao céu como num grito,
Em desabafo de orgulho mal ferido,
Num diálogo de surdos vai pedindo,
Em oração, luz e piedade,
Que muito tarde chegue a sua morte.
*
Olha do alto da sua beleza,
O esplendor que é o Alentejo,
Rogando que nos dias de incerteza,
A sua sombra ainda seja um tecto,
Um abrigo de almas e ansiedades,
Dos temporais, da vida e dos tempos,
Para quem vive só, é o exemplo,
De força sublime, de vontade,
Que mesmo no meio da solidão,
Ele quer viver! ‒ É o mais forte.
Ana Claré

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