quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O pastor


Solitário,

O silêncio sua lida,

Ele é pastor do seu gado

E da sua própria vida.

Guarda de seres,

Guarda de almas,

Olhar distante,

Caminhar lento, absorto,

O que quer já é bastante,

Não desprezar sua vida

Solitária e breve,

Os seres que guarda

Com genuíno alento

E seguir sempre com um rumo certo.

No silêncio da paisagem

Em que vive e sofre,

É o elo entre céu e terra,

Não conta horas,

Não conta momentos,

Vê mudar os campos, seu sustento!

Nas viragens normais que faz o tempo.

Perscrutando tudo que abarca,

Seu caminho é o infinito,

Do longe faz perto

E nunca se perde,

No espaço e no tempo

De que ele próprio é feito.

Ao seu redor o feio não existe,

A natureza embelezou-lhe a sorte,

Os seus protegidos

Aumentam-lhe o viço,

Libertam-no da sua própria morte

Porque a beleza é o seu ofício.



Ana Claré 29/Outubro/2010

Sem comentários:

Enviar um comentário