Solitário,
O silêncio sua lida,
Ele é pastor do seu gado
E da sua própria vida.
Guarda de seres,
Guarda de almas,
Olhar distante,
Caminhar lento, absorto,
O que quer já é bastante,
Não desprezar sua vida
Solitária e breve,
Os seres que guarda
Com genuíno alento
E seguir sempre com um rumo certo.
No silêncio da paisagem
Em que vive e sofre,
É o elo entre céu e terra,
Não conta horas,
Não conta momentos,
Vê mudar os campos, seu sustento!
Nas viragens normais que faz o tempo.
Perscrutando tudo que abarca,
Seu caminho é o infinito,
Do longe faz perto
E nunca se perde,
No espaço e no tempo
De que ele próprio é feito.
Ao seu redor o feio não existe,
A natureza embelezou-lhe a sorte,
Os seus protegidos
Aumentam-lhe o viço,
Libertam-no da sua própria morte
Porque a beleza é o seu ofício.
Ana Claré 29/Outubro/2010

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